quinta-feira, 30 de abril de 2009

Primeiro laboratório (07/01/2009)

Utilizando metáforas corporais, este foi o primeiro laboratório para o sentimento de perda.

Improvisação de Renata Muniz video

2 comentários:

  1. MORTE COMO UMA PORTA

    O que pode ser dito sobre a morte? Como você pode dizer algo sobre a morte? Não é possível que alguma palavra carregue o significado da morte. O que essa palavra ‘morte’ significa? Na verdade, não significa nada. O que você quer dizer quando usa a palavra ‘morte’? É simplesmente uma porta, além da qual não sabemos o que acontece. Vemos um homem desaparecer dentro da porta; podemos ver a porta, e então o homem simplesmente desaparece. Sua palavra morte só pode dar o significado da porta. Mas o que realmente acontece, além da porta? Devido a que a porta não é uma coisa.
    A porta é para ser atravessada. Então o que acontece com aquele que desaparece através da porta que não podemos ver além dela? O que acontece a ele? E o que é essa porta? Somente uma parada da respiração? É a respiração toda a vida? Você não tem algo mais além da respiração? A respiração cessa... o corpo se deteriora... se você for somente corpo e respiração, então não há nenhum problema. Dessa maneira a morte não é nada. Não é uma porta para coisa alguma. É simplesmente uma parada, não um desaparecimento. É exatamente como um relógio.
    O relógio está fazendo tique-taque, funcionando, então ele pára; você não pergunta para onde o tique-taque foi – isso seria sem sentido! Ele não foi a lugar nenhum. Ele absolutamente não foi, simplesmente parou; era apenas um mecanismo e alguma coisa deu errado com o mecanismo – você pode reparar o mecanismo, então ele irá fazer tique-taque novamente. É a morte apenas como a parada de um relógio? Apenas isso?
    Se é assim, não é um mistério, não é nada realmente. Mas como é que a vida pode desaparecer tão facilmente? A vida não é mecânica. Vida é consciência. O relógio não está cônscio. Você pode ouvir o tique-taque; o relógio nunca ouviu isso. Você pode escutar as batidas de seu próprio coração. Quem é esse ouvinte? Se a vida for somente às batidas do coração, então quem é esse ouvinte? Se a vida for somente respiração, como você pode estar cônscio de sua respiração? Eis porque todas as técnicas Orientais de meditação usam a consciência da respiração como uma técnica sutil... Porque se você se torna cônscio da respiração, então quem é essa consciência? Deve ser algo além da respiração porque você pode olhar para isso e o observador não pode ser o objeto. Você pode testemunhá-la, você pode fechar seus olhos e você pode ver sua respiração entrando e saindo. Quem é esse que está vendo, a testemunha? Deve ser uma força separada que não depende do respirar. Quando a respiração desaparece, isso é a parada do relógio, mas para onde essa consciência vai? Para onde essa consciência se move?
    A morte é uma porta, não é uma parada. A consciência se move, porém seu corpo permanece na porta – exatamente como você chegou aqui e deixou seus calçados na porta. O corpo é deixado fora do templo e sua consciência penetra no templo. É o fenômeno mais sutil, a vida não é nada diante disso. A vida basicamente é apenas uma preparação para morrer, e somente aqueles que são sábios aprendem em suas vidas como morrer. Se você não souber como morrer você terá perdido todo o significado da vida: é uma preparação, é um treino, é uma disciplina.
    A vida não é o fim, é apenas uma disciplina para aprender a arte de morrer. Mas você está com medo, assustado, da própria palavra morte você começa a tremer. Isso significa que você ainda não conheceu a vida, porque a vida nunca morre. A vida não pode morrer.
    Em algum lugar você ficou identificado com o corpo, com o mecanismo. O mecanismo é para morrer, o mecanismo não pode ser eterno, porque o mecanismo depende de muitas coisas; é um fenômeno condicionado. Consciência é incondicionada, não depende de nada. Ela pode flutuar como uma nuvem no céu, ela não possui raízes, ela não é causada, ela nunca nasceu, então ela nunca poderá morrer.
    Sempre quando alguém morrer você precisa ficar meditativo perto dele porque um templo está bem próximo, e é um chão sagrado. Não seja infantil, não traga curiosidades, seja silencioso para que você possa observar e ver. Algo muito, muito significativo está acontecendo. Não perca o momento.

    Osho, Extraído de: And the Flowers Showered

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  2. Tarô da Transformação

    30. Aquilo Que Nunca Morre

    A mãe aflita e as sementes de mostarda

    Lembre-se, a cada momento, o que você está acumulando - se trata de algo que vai ser tirado pela morte? Se for, então não vale a pena se incomodar com isso. Se isso não vai ser tirado pela morte, então até mesmo a vida pode ser sacrificada por isso porque mais cedo ou mais tarde a vida vai desaparecer. Antes que a vida desapareça, aproveite a oportunidade para encontrar aquilo que nunca morre.

    O marido de uma mulher morreu. Ela era jovem, tinha somente um filho. Ela queria cometer sati, queria pular na pira funerária do marido dela, mas essa criancinha a impediu. Ela precisava viver por causa dessa criancinha.

    Porém o filhinho morreu; agora isso era demais. Ela quase ficou louca, perguntando às pessoas, “Existe algum médico em algum lugar que possa trazer meu filho de volta? Eu vivia só para ele, agora toda minha vida ficou simplesmente vazia.” Aconteceu que Buda estava vindo para a cidade, então as pessoas disseram, “Leve o seu filho até Buda. Diga a ele que você estava vivendo para esta criança, que morreu, e peça a ele, ‘Você é uma pessoa tão iluminada, chame-o de volta à vida! Tenha piedade de mim!”

    Assim ela foi até Buda. Ela colocou o corpo morto da criança aos pés de Buda e disse, “Traga-o de volta à vida. Você conhece todos os segredos da vida, você alcançou o ápice da existência. Não pode você fazer um pequeno milagre para uma pobre mulher?”

    Buda disse, “Posso fazê-lo, mas há uma condição.”

    Ela disse, “Eu cumprirei qualquer condição.”

    Buda disse, “A condição é, vá pela cidade e de uma casa onde jamais alguém tenha morrido, traga algumas sementes de mostarda.”

    A mulher não conseguia entender a estratégia. Ela chegou numa casa, e eles disseram, “Algumas sementes de mostarda? Podemos trazer uma carroça cheia de sementes de mostarda se Buda puder trazer seu filho de volta à vida. Mas temos visto tantos mortos em nossa família... “
    Era uma cidade pequena, e ela foi em cada casa. Todos queriam ajudar: “Quantas sementes você quer?” Mas a condição era impossível de cumprir pois todos eles haviam tido muitas mortes em suas família.

    No final do dia ela compreendeu que todo aquele que nasce um dia vai morrer, então qual é o sentido de trazer a criança de volta de novo? “Ela irá morrer novamente. É melhor que você mesma procure o eterno, o qual nunca nasce e nunca morre.” Ela retornou, de mãos vazias.

    Buda perguntou, “Onde estão as sementes de mostarda?” Ela sorriu. Pela manhã ela tinha vindo chorando; agora ela sorriu, e disse, “Você me pregou uma peça! Todo aquele que nasce vai morrer. Não existe nenhuma família no mundo onde ninguém tenha morrido. Assim eu não quero que meu filho volte a viver, pois não faria sentido. Esqueça a criança. Me inicie na arte da meditação para que eu possa ir para o terreno, para o espaço da imortalidade, onde nascimento e morte jamais aconteceu.”

    É Isso que chamo de um autêntico milagre: cortar o problema pela raiz.

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